por David Mathis

A alegria é essencial à vida Cristã. As Escrituras são claras:  o povo de Deus tanto é ordenado a alegrar-se como é caracterizado por se alegrar.

O nosso Pai celestial não é indiferente à nossa felicidade. A alegria não é um adorno na vida Cristã. A alegria não é a cobertura do bolo, mas um ingrediente essencial duma massa complexa.

Não é que haja apenas alegria, mas a questão é que, nas nossas perdas mais dolorosas e nos maiores sofrimentos, descobrimos quão profundos são os reservatórios da alegria cristã. Só aqui, em dificuldade e trevas, saboreamos a essência de tal alegria – que não é fina, frívola e vazia, mas espessa, substantiva e cheia.

A Alegria é Possível

Ouvir que a alegria não é opcional chega a alguns ouvidos com promessa e esperança. Se a alegria é essencial, então deve querer dizer que a alegria é possível. Num mundo de pecado e sofrimento, confusão e miséria, ouvir que a alegria é possível são boas novas notícias.

Por um lado, a alegria é ordenada em toda a Bíblia. Foi ordenada a Israel, o primeiro povo a ter uma aliança com Deus, em especial nos Salmos. “Alegre-se Israel naquele que o fez, regozijem-se os filhos de Sião no seu Rei.” (Salmos 149:2) “Se regozijará Jacó e se alegrará Israel.” (Salmos 14:7) “Alegrai-vos, ó justos, no Senhor.” (Salmos 97:12) “Servi ao Senhor com alegria.” (Salmos 100:2) “Alegrai-vos no Senhor, e regozijai-vos, vós os justos; e cantai alegremente todos vós que sois retos de coração.” (Salmos 32:11). Além de outras centenas de exemplos em todo o Velho Testamento.

Além de Israel, Deus ordena a todas as nações que se alegrem no seu Criador (“alegrem-se e regozijem-se as nações” – Salmos 67:4) e ordena até o mundo natural a unir-se a essa alegria (“alegrem-se os céus, e regozije-se a terra” – Salmos 96:11).

No Novo Testamento, Deus, em plena humanidade, não muda a melodia a partir do momento em que se torna o “homem de dores” no nosso mundo caído (Isaías 53:3), mas ordena a nossa alegria tanto como qualquer outro momento e dá-nos ainda maiores razões para nos alegrarmos. “Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus” (Mateus 5:12). “Exultai” (Lucas 6:23). “Alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus” (Lucas 10:20). Sim, a alegria é possível. Uma alegria tão real e rica que, dirigindo-nos a amigos e vizinhos, dizemos: “alegrai-vos comigo.” (Lucas 15:6, 9)

Se não fosse já suficientemente claro, o apóstolo Paulo esforça-se por explicitá-lo ainda mais nas suas cartas às igrejas. “Alegrai-vos na esperança (…) Alegrai-vos com os que se alegram.” (Romanos 12:12-15) “Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos” (2 Coríntios 13:11). “Regozijai-vos sempre” (1 Tessalonicenses 5:16). E então, chegamos à onda de alegria em Filipenses: “regozijai-vos e alegrai-vos comigo” (Filipenses 2:18). “Que vos regozijeis no Senhor” (Filipenses 3:1). “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos” (Filipenses 4:4). Não que estejamos adormecidos perante as múltiplas dores da vida no tempo presente, mas em Cristo temos acesso à alegria subterrânea, que existe em simultâneo com a maior das nossas dores e é mais profunda que esta – somos “contristados, mas sempre alegres” (2 Coríntios 6:10).

Uma das razões pela qual a Bíblia é tão implacável em insistir na nossa alegria é a grandeza de Deus. O imperativo da alegria em nós é baseado no indicativo da bondade divina. “E te alegrarás por todo o bem que o Senhor teu Deus te tem dado a ti” (Deuteronómio 26:11). A alegria no coração da criatura corresponde à bondade no coração do Criador. A alegria é a resposta adequada do receptor à da bondade do Doador.

Mas Não Sou Alegre

Alguns ouvem os mandamentos da alegria como possibilidades; outros ouvem problemas. E ambas as respostas são justificadas. Somos pecadores, espiritualmente mortos por natureza (Efésios 2:1-3). Muitas vezes somos emocionalmente inconsistentes e espiritualmente dormentes. Mesmo em Cristo, diariamente andamos numa montanha russa ondulante – de corações letárgicos a espíritos despertados, para voltarmos novamente à sequidão.

Aqueles de nós que se conhecem, e estão a aprender a ser honestos com a realidade, conseguimos confessar como é pequena a nossa alegria e pedimos ao nosso Pai, vez após vez: “torna a dar-me a alegria da tua salvação” (Salmos 51:12).

Para pessoas tão lentas e auto-conscientes, ouvir que a alegria não é opcional pode fazer com que se sintam sobrecarregadas com mais condenação do que com possibilidades. Pode ser um novo peso a carregar sobre ombros já sobrecarregados. Mas a nossa falta de alegria não é o fim da história. Há uma peça infinitamente poderosa na equação.

Deus está totalmente comprometido com a tua alegria

Tendo em conta os nossos intermináveis fracassos, são incríveis as boas notícias que o próprio Deus está totalmente comprometido com a nossa alegria eterna nele. De facto, em certo sentido, ele está tão empenhado na nossa alegria nele como está no seu derradeiro propósito no universo: que ele seja honrado e glorificado. Porque a nossa alegria está ligada com a sua glória. Nas palavras do refrão poético de John Piper, Deus é mais glorificado em ti quanto mais satisfeito estiveres nele.

Deus é justo, e por isso não é indiferente à sua glória. E as boas notícias para aqueles de nós que reivindicam o sangue e a justiça do seu Filho é que ele não é indiferente à nossa alegria. Não a alegria ténue, frívola, vazia que as circunstâncias externas num mundo caído podem trazer. Mas a alegria robusta, substancial, rica que pode correr como um rio profundo e largo nos cenários menos felizes da nossa vida.

Em Cristo, não só Deus já não está contra nós numa ira omnipotente, mas agora ele é por nós – para nossa profunda e duradoura alegria – em todo o seu amor omnipotente. A sua promessa através de Jeremias torna-se realidade em Cristo: “E alegrar-me-ei por causa deles, fazendo-lhes bem; e os plantarei nesta terra certamente, com todo o meu coração e com toda a minha alma.” (Jeremias 32:41).

A nossa alegria não será perfeita nesta vida; passaremos sempre por dificuldades e tensões. Teremos as nossas angústias e ansiedades. Teremos os nossos altos e baixos. E ainda assim, mesmo aqui temos vislumbres. A alegria indomável está ao virar da esquina, mas podemos desde já experimentar a doçura, especialmente no sofrimento. “Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso” (1 Pedro 1:8).

São boas notícias as de que a alegria não é opcional na vida Cristã, porque o peso final não cai sobre as nossas fracas costas, mas sobre os ombros todo-poderosos do próprio Deus.


Por: David Mathis. ©️ Desiring God Foundation. Traduzido com permissão. Fonte: A Alegria não é opcional. Por que é que Deus se preocupa com a tua felicidade. ©️ Rede Reformada Todos os direitos reservados. Tradução: Tiago Falcoeiras.

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